(…)Este ensaio pressupõe que a expressão máxima da soberania reside, em grande medida, no poder e na capacidade de ditar quem pode viver e quem deve morrer.
Por isso, matar ou deixar viver constituem os limites da soberania, 
seus atributos fundamentais. Ser soberano é exercer controle  sobre a mortalidade e definir a vida como a implantação e manifestação de poder. (…)

Achille Mbembe














(…)Ofereço este texto, então, em parte como forma de reconsiderar algumas seções de meu livro Problemas de gênero que causaram confusão, mas também como um esforço para pensar mais sobre o funcionamento da hegemonia heterossexual na criação de matérias [matters] sexuais e políticas. Como uma rearticulação crítica de várias práticas teóricas, incluindo os estudos feministas e queer, esta obra não pretende ser programática. 
E, ainda, como uma tentativa de esclarecer minhas “intenções”, ela também parece destinada a produzir novos conjuntos de mal-entendidos. Espero que, a o menos, eles se provem produtivos.(…)

Judith Butler





(…)Este livro é, entre outras coisas, a história de duas experiências políticas. A primeira, que eu teria evitado e nunca teria imaginado:o inferno esquisito no qual se transformou a faculdade neoliberal à la française, alto lugar da “educastração” (Mieli), da gestão do pensamento e das subjetividades, especialmente para minorias sexuais, de gênero e raciais; a segunda, o encontro com o coletivo queer e transfeminista italiano de Bolonha, o Smaschieramenti, que me transformou na hora certa. Na Itália, as queers e as transfeministas são corajos*e brilhantes. 
Nós precisamos de sua política queer e transfeminista, generosa e fabulosa, de seus conceitos e de suas práticas, que são o gênero enquanto trabalho, e a greve dos gêneros. 
E do feminismo biopolítico em geral. Este livro é dedicado a elas.(…)

Sam Bourcier