Este livro documenta um encontro ficcional entre Gal Oppido e o lendário artista japonês Yukio Mishima que, em novembro de 1970, cometeu o suicídio ritual conhecido como  seppuku  para encerrar um projeto de terrorismo estético que esculpiu seu corpo, seus princípios e uma profusão de narrativas e imagens absolutamente singulares.   

 

Tudo que parece ter importado para Mishima está aqui: a fixação pelos samurais, a obsessão pelos pilotos  kamikaze (deuses do vento), os corpos olímpicos, os vestígios de cenas clássicas de cinema, músculos, máscaras, souvenirs  made in Japan , estátuas gregas iluminadas por rasgos de sol, a evolução desde a África devorada, sacrifícios renascentistas, uma arrebatadora experiência pop Hokusai-Oppidiana e, ainda, uma cartografia anárquica que parte do nascimento da modernidade até as tecnologias excêntricas de corpos, mídias, cidades e guerras. 

 

Entretempos e intra-espacialidades, bricolagens de vida e morte são fabuladas, através do olhar agudo e sensível de Gal Oppido, fazendo emergir uma história antropofágica da arte e do corpo no Japão. 




 


(…)Ofereço este texto, então, em parte como forma de reconsiderar algumas seções de meu livro Problemas de gênero que causaram confusão, mas também como um esforço para pensar mais sobre o funcionamento da hegemonia heterossexual na criação de matérias [matters] sexuais e políticas. Como uma rearticulação crítica de várias práticas teóricas, incluindo os estudos feministas e queer, esta obra não pretende ser programática. 
E, ainda, como uma tentativa de esclarecer minhas “intenções”, ela também parece destinada a produzir novos conjuntos de mal-entendidos. Espero que, a o menos, eles se provem produtivos.(…)

Judith Butler






(…)Este livro é, entre outras coisas, a história de duas experiências políticas. A primeira, que eu teria evitado e nunca teria imaginado:o inferno esquisito no qual se transformou a faculdade neoliberal à la française, alto lugar da “educastração” (Mieli), da gestão do pensamento e das subjetividades, especialmente para minorias sexuais, de gênero e raciais; a segunda, o encontro com o coletivo queer e transfeminista italiano de Bolonha, o Smaschieramenti, que me transformou na hora certa. Na Itália, as queers e as transfeministas são corajos*e brilhantes. 
Nós precisamos de sua política queer e transfeminista, generosa e fabulosa, de seus conceitos e de suas práticas, que são o gênero enquanto trabalho, e a greve dos gêneros. 
E do feminismo biopolítico em geral. Este livro é dedicado a elas.(…)

Sam Bourcier