TESTO JUNKIE

Paul B. Preciado




Título  TESTO JUNKIE

Autor  Paul B. Preciado

Ano  2018 | 1ª edição

Nº de páginas  448 

Dimensões  13 x 20cm 

ISBN  978-85-6694-353-5 

Preço de capa  80,00

 


“Este livro não é uma autobiografia, mas um protocolo de intoxicação voluntária à base de testosterona”.

A bomba atômica, a pílula anticoncepcional, o tráfico de drogas, a invenção da noção de gênero, a transformação do pornô na nova cultura de massas, o trabalho sexual como modelo de todo trabalho na sociedade pós-fordista, o consumo de testosterona... Neste livro, Preciado nos convida a percorrer várias trilhas do regime farmacopornográfico, indissociáveis do capitalismo turbinado, psicotrópico e punk.

Ao descrever o “experimento político que durou 236 dias e noites”, o autor investiga os processos de construção e desconstrução da subjetividade. 

O resultado é este ensaio brilhante e provocativo sobre o lugar que ocupa o corpo, o sexo e a sexualidade na sociedade contemporânea. Testo Junkie é nada menos do que uma bomba conceitual.


TESTO JUNKIE

Sexo, drogas e biopolítica na era farmacopornográfica

por Bru Pereira e Yuri Bataglia

 

Pensamos o livro de Paul Preciado como uma máquina-molécula, capaz de contaminar e desestabilizar, injetar interferências nos circuitos sociais que promovem a naturalidade da cisgeneridade compulsória. Em Testo Junkie, Preciado escreve sobre as produções de corpo contemporâneas, misturando teoria política e a história da medicina com sua própria experiência pessoal, com a produção de seu corpo desencadeada pelo uso de testosterona.

Mas os hormônios industriais apropriados subversivamente por pessoas transvestigêneres são parte de processos mais amplos: para o autor, no capitalismo pós-fordista, toda produção de subjetividade e entendimento de si se dá em termos tóxicos e pornográficos; tanto as de resistência e desobediência, que hackeiam as programações sociais, quanto as cisnormativas, que naturalizam a produção social e política de sua identidade de gênero e sexualidade.Preciado nomeia nossa era de "farmacopornográfica", esse novo regime político de gestão e controle dos corpos e das subjetividades que se efetua em duas frentes, através de processos de governo biomolecular (como, por exemplo, discorrendo sobre o uso em larga escala da pílula contraceptiva como regulador político e controle médico de corpos com útero) e semiótico-técnicos (como nas representações veiculadas em massa na pornografia, disseminando padrões de relação e de identidade). Assim, Preciado desnaturaliza o fundamento biologizante de identidades normativas como "mulher", "homem" e "heterossexual", discorrendo sobre os processos tecnológicos e históricos de produção destas categorias, tanto em termos bioquímicos quanto nas representações sociais.