V ivemos uma encruzilhada. De um lado, décadas e, porque não dizer, séculos de conhecimento acumulado, cuja construção possibilitou horizontes sem os quais nossa experiência seria dificilmente concebível: liberdade, sujeito, sexualidade, democracia, universalidade, igualdade, corpo, inconsciente, para ficar com algumas. Essa segunda natureza — para muitos, inclusive, ma1s pungente do que a primeira -guia nossas ações a partir e em direção ao que se considera o humano e, ate mesmo, o inumano, caso queiramos estender este espírito também para as perspectivas criticas p6s-estruturalistas. A modernidade, seus descontentes e o mal-estar de não conseguirmos nem estar a altura dela e nem nos livrar de sua gramática ( ainda que a tomando como antagonista) parecem ser uma sorte de fardo que somos condenades a carregar na via-crúcis do saber humano.

          Agora, há o outro lado. Um ruído que poderia anos atrás ser ignorado, inviabilizado ou colonizado parece come\ar a atrapalhar a cantoria moderna. Sua 16gica — que nao se reduz as polifonias, atonalismos e outras formas de desconstru\ao interna da nossa capacidade de escutar a diferen\a — desafia a pr6pria 16gica, pois ja nao sabemos se se trata de barulhos, cantos, pontos, sons da mata ou de um sonho febril. Ao se permitir de fato ouvi-lo, perde-se inclusive a certeza de que e um som, um toque aspero, uma visao inquietante ou uma agonia sem name. Um estranho. Ao descreve-lo assim, percebo que estou me valendo, quase sem perceber, de um tom que evoca o medo, e no qual represento uma universalidade neutra amea\ada por alga que nao entendo. Esse ru{do sem name ou, melhor