SOBRE A FABRICAÇÃO GRADATIVA DE PENSAMENTO DURANTE A FALA

Heinrich von Kleist 

Título Sobre a fabricação gradativa de pensamentos durante a fala

Autor  Heinrich von Kleist
Tradutor  Artur Seidel Fernandes | Maria Cristina Franco Ferraz

Ano 2021 | 1º edição
Projeto gráfico da coleção/capa: 
Editora HEDRA – Lucas Kröeff

ilustração alfabeto: Waldomiro Mugrelise

N˚ de paginas 80

Dimensões  11 x 18cm

ISBN  978-65-86941-44-9  

Preço de capa R$ 36,00




Sobre o livro

(...) Com efeito, sugere-se desde o início que não se alcançam ideias claras ensimesmando-se, isolando-se dos outros e do mundo, em um movimento introspectivo que favoreceria a inspeção da razão por ela mesma. Deleuze e Guattari ressaltaram ainda o antiplatonismo dessa espécie de diálogo, que é de fato um anti-diálogo: o texto salienta que começamos a falar com alguém sobre uma ideia nebulosa não para que o interlocutor nos esclareça, mas para que o próprio movimento inicial da frase, infletindo-se em direção a seu desfecho, perfaça e clarifique a ideia. Portanto, nem pensamento interiorizado nem diálogo metódico; em Kleist, não perguntar, apostar na força viva do discurso e no acaso dos encontros faz parte da cena em que o pensamento pode ser fabricado. De fora, portanto, e em trocas presenciais com corpos alheios. (...)


(…)“Um pensamento às voltas com forças exteriores, em vez de estar recolhido em uma forma interior; operando por revezamento, em vez de formar uma imagem; um pensamento-acontecimento, hecceidade, em vez de um pensamento-sujeito; um pensamento-problema, em vez de um pensamento-essência ou teorema; um pensamento que conclama um povo, em vez de se tomar por um ministério. “ (…)

Gilles Deleuze e Félix Guattari

 



Sobre o autor

Bernd Heinrich Wilhelm von Kleist (1777 –1811) foi um escritor prussiano. Nascido na cidade de Frankurt, Kleist viveu a maior parte de sua vida em Berlim, tendo permanecido alguns anos também na França e na Suiça. Seguindo forte tradição familiar, Kleist ingressou no exército prussiano em 1792, mas desertou sete anos depois, para seguir a vida acadêmica e literária. Foi interlocutor de Johann Wolfgang von Goethe, FriedrichSchiller, Caspar David Friedrich e Ludwig Tieck. Escreveu literatura, dramaturgia e ensaios filosóficos importantes como O Jarro Quebrado, Pentesiléia, Sobre o Teatro de Marionetes, Michael Kohlhaas e Sobre a Frabricação Gradual do Pensamento durante a Fala. Seus escritos exerceram influência sobre autores notáveis, como Friedrich Nietzsche e Gilles Deleuze.

 


Sobre os tradutores

Maria Cristina Franco Ferraz é Professora Titular de Teoria da Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Doutora em Filosofia (Universidade de Paris I-Sorbonne), com três estágios pós-doutorais em Berlim, Mestre em Letras pela PUC-RJ. Professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura da ECO. Foi professora visitante nas Universidades de Paris 8, Perpignan, Richmond, Nova de Lisboa e Saint Andrews. Autora de Nietzsche, o bufão dos deuses (São Paulo: n-1, 2017 e Paris: Harmattan, 1998), Platão: as artimanhas do fingimento (Rio: Relume Dumará, 1999 e Lisboa: Nova Vega, 2010), Nove variações sobre temas nietzschianos (Rio: Relume Dumará, 2002), Homo deletabilis (Rio: Garamond, 2010 e Paris: Hermann, 2015), Ruminações: cultura letrada e dispersão hiperconectada (Rio: Garamond, 2015)e Para além de black mirror ( São Paulo: n-1 edicoes, 2020 em co -autoria com Ericson saint Clair)

Artur Seidel Fernandes é doutorando em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Mestre em Comunicação e Cultura pela mesma instituição. É bacharel em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e possui graduação em Comunicação Social (Radialismo e Televisão) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente, estuda mídias sonoras e atua como técnico de som para cinema e audiovisual. Tem publicações sobre comunicação comunitária, radialismo, música, fonografia e métodos de pesquisa etnográfica.