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História da província de Santa Cruz (Pero de Magalhães Gandavo; Ricardo Valle; Ieda Lebensztayn. Editora Hedra) [HIS033000]

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    “História da província de Santa Cruz”, de 1576, foi lido como “relato de viajante ou como “nossa primeira história”, entendido como testemunho de impressões antigas dos portugueses nas terras d’além-mar. Contudo, esta simples história ou tratado descritivo da “costa do Brasil” teve circulação muito restrita à época, o que leva a crer que foi recolhida e destruída após sua impressão. Permaneceu praticamente ignorada até 1837, quando foi reconsiderada em edição e tradução francesa. A obscuridade do livro nos séculos seguintes à sua publicação é tanto mais estranha tendo-se em vista que, por intermédio de uma elegia e um soneto de Camões, o livro é dedicado a um varão de armas em carreira promissora nas Índias portuguesas, tendo sido impresso pela mesma oficina tipográfica que compôs Os Lusíadas. Diferente de um testemunho empírico, o livro é composto conforme a ideia de gênero histórico, retoricamente regrado, em que o historiador, apoiado pelo aconselhamento ético da Igreja Católica, exalta, pelo discurso, ações virtuosas de pessoas de caráter elevado e eventos providenciais.
    • ISBN : 9788577156399
    • Formato 133.0 x 210.0
    • Peso 0.422
    • Páginas 180
    • Disponível em 2020-10-30
    • Book status Available

    Pero de Magalhães Gandavo

    Pero Magalhães de Gandavo tornou-se um nome tão obscuro quanto o seu livro. Nem sempre utilizou o último nome, e sabemos que “gandavo” é a designação dada a quem nasce em Guantes, Flandres. Desde a Biblioteca Lusitana, de Diogo Barbosa Machado, de meados do século XVIII, algumas informações somaram-se para a invenção histórica da vida desse nome que teve a posteridade truncada. Diz-se que fora natural de Braga, que o pai era flamengo, que foi moço-de-câmara de Dom Sebastião, que trabalhou na Torre do Tombo como copista, que permaneceu alguns anos no Brasil cuja história escreveu, e que, após a publicação do livro, foi nomeado provedor da fazenda da cidade da Bahia, cargo que, diz-se, não exerceu. Teria aberto uma escola na região entre o Douro e o Minho, onde também casara. A maior parte das ações e funções institucionais que se lhe atribuem constituía muito do que a um homem de letras era digno exercer; são provavelmente verossímeis narrativos do gênero histórico, inventados por tradições biblio-historiográficas de escrita de vidas de poetas; ou são notícias derivadas desses verossímeis em vertentes historiográficas do século XIX. O mistério que ronda o desaparecimento de seu livro, aplica-se a seu estranho sobrenome, que, sem ascendência nem descendência certas, não se sabe hoje sequer a pronúncia.


    Brand Editora Hedra
    Category Metabiblioteca
    Weight 0.42 kg
    Type Storable Product