PORNOTOPIA -
PLAYBOY E A INVENÇÃO DA SEXUALIDADE MULTIMÍDIA  

Paul B. Preciado


Título Pornotopia - Playboy e a invenção da sexualidade multimídia  

Autor Paul B. Preciado
Tradutor Maria Paula Gurgel Riberio
Projeto gráfico Phamela Dadamo e Ricardo Coelho

Ano 2020 | 1º edição

N˚ de paginas 228

Dimensões 21 x 14cm

ISBN 978-65-86941-23-4

Preço de capa R$ 75,00




Sobre o livro

(...) Se você quiser mudar um homem, transforme sua casa” – tal poderia ser o lema de Hugh Hefner, o fundador da revista Playboy, que além de inventor das “coelhinhas”, performatizou o que ele entendia como “emancipação masculina”. Penthouse para celibatários, cama giratória, jatinho privado, piscinas translúcidas, night-clubs, mobiliário de design, mansões extravagantes repletas de câmaras de vigilância. Em plena guerra fria, Playboy inventava a primeira utopia erótica da era da comunicação de massa: um bordel multimídia em que um homem, divorciado, celibatário e polígamo, vive acompanhado de um harém composto por trinta garotas filmadas 24 horas por dia em meio a um parque temático sexual.
 
É a partir das relações entre arquitetura, tecnologia e sexualidade que Paul Preciado estuda o império Playboy, primeira indústria de entretenimento sexual do capitalismo global. Com um raro talento filosófico, inspirado na ideia de heterotopia de Michel Foucault, o autor inventa a noção de pornotopia, e se debruça sobre o arquipélago Playboy para entendê-lo como realização contemporânea das utopias sexuais de Sade e tantos outros. No coração da pornotopia Playboy, a arquitetura se torna o espaço de teatralização da heterossexualidade. E a pornografia, o mecanismo de “produção pública do privado e espetacularização da domesticidade”. Como negar que a masculinidade de hoje ainda é vivida no rastro desse imperativo? 
 




(...) A  pornotopia  Playboy,  por  meio  de  Preciado,  desnuda-se  em  nossa  frente  da mesma forma que a playmate do mês, escolhida cuidadosamente por Hefner desveste-se  perante  o  leitor:  aos  poucos,  de  maneira  sutil  e  detalhada.  O  livro  se divide em dez capítulos que despem totalmente o Império Playboy, desde as questões  que  envolveram  a  publicação  da  primeira  revista,  com  a  foto  de  Ma-rilyn Monroe na capa, até o detalhamento da arquitetura do espaço do solteiro, proposto pelo periódico e efetivado na Mansão Playboy. O  pornográfico,  em  Playboy,  não  era  a  utilização  de  fotografias  obscenas,  mas  o  modo  como  fazia  irromper  na  esfera  pública  aquilo  que  até  então  era  parte do privado. Ao contrário de outras revistas da época, que colocavam em cena o homem do espaço público e exterior, caçador aos finais de semana, Play-boy  tem  como  foco  o  homem  doméstico  que  trabalha,  consome,  festeja  e  faz  sexo dentro de sua própria casa. A partir dessa constatação, logo nos primeiros capítulos,  Preciado  nos  abre  as  portas  (e  folheia  as  páginas)  da  Playboy,  com  tamanho rigor analítico, que nos permite adentrar completamente neste espaço de produção de masculinidade. Playboy está nua.. (...) 

Lara Aciola
(Revista de Sociologia da UFSCar. São Carlos, Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia da
UFSCar, 2011, n.2. pp. 213-220)

 


Sobre o autor

(...) Paul B. Preciado , nascido em  1970 , em Burgos, Espanha é um filósofo e escritor feminista transgênero, cujas obras versam sobre assuntos teóricos como filosofia de gênero, teoria queer, arquitetura, identidade e pornografia.  Pornotopia  é um  livro fascinante, divertido e inteligente. Foi o primeiro trabalho de peso desse filósofo transgênero, quando ainda assinava como Beatriz Preciado. Escrito como tese na Universidade de Princeton, ele dá a ver a encenação sexual machista da qual somos herdeiros diretos e com a  mesma potência crítica  e cáustica dos seus outros dois  livros : Manifesto contrassexualTesto Junkie: sexo, drogas e biopolítica na era farmacopornográfica, ambos publicados pela n-1 edições. (...)