EM QUE PONTO ESTAMOS? 

  Giorgio Agamben

Título Em que ponto estamos? A epidemia como política
Autor
Giorgio Agamben
Projeto gráfico Luan de Freitas
Ano 2021 | 1º edição
N˚ de páginas 128
Dimensões
14 cm X 21 cm 
ISBN 978-65-86941-55-5

Sobre o livro

Polêmica
A propósito da publicação pela n-1 do livro de Agamben Em que ponto estamos? A epidemia como política

Saiu semana retrasada Pandemia Crítica, com 123 textos. O conjunto é uma máquina de guerra contra o negacionismo e o fascismo.. Tivemos desde o início a preocupação de não incluir textos que fossem minimamente negacionistas, e os primeiros do Agamben foram os que mais nos doeram - de ler e não publicar. No primeiro deles, de 26 de fevereiro de 2020 e intitulado “A invenção de uma epidemia”, o autor lê as medidas restritivas do governo italiano diante da (então ainda) epidemia como sinais de um estado de exceção crescente. E dá margem a uma interpretação ambivalente, como se criticasse em bloco qualquer medida sanitária. Em um país como o Brasil, que desde o início negou a existência e os riscos da covid-19, combatendo qualquer iniciativa de cuidado e se desresponsabilizando abertamente de qualquer política pública, tal observação poderia soar no mínimo deslocada. Mas incluímos no Pandemia crítica um outro texto do autor, sobre os estudantes e o fim da vida universitária, muito contundente e premonitório.

Ocorre que tempos depois, através de seu tradutor, Agamben nos ofereceu os direitos de tradução de 22 artigos que compõem seu livro recente chamado Em que ponto estamos? Epidemia e política. Os três primeiros textos dão um frio na espinha para qualquer um que vive no hemisfério sul, sobretudo em nosso país... soa como aberração, para nós, que aqui padecemos de negacionismo e negocismo descarados..  já os demais textos inserem as políticas (européias) relacionadas à pandemia num arco histórico e biopolítico muito mais amplo, e conversam com toda a filosofia política de Agamben, desde os gregos e romanos até o futuro deste planeta. Entre outras coisas, ele critica a ideia mesma de colocar num mesmo saco os que negam o Holocausto e os que resistem às políticas de saúde dirigidas por burocratas. Mas tem muito mais coisa.. Como duvido que qualquer leitor de Agamben no Brasil de hoje recuse a vacina por conta da leitura deste livro, decidimos publicá-lo agora como um material para reflexão... Sei que a mera publicação vai levantar muita poeira e achincalhe e críticas.. mas defendo que um pensador desse quilate, que acompanho há décadas e nos ajudou a pensar a questão da vida nua e do campo como paradigma biopolítico, tem todo o direito de escrever a partir de um ponto de vista singular e tão próprio, mesmo com o risco de ser mal entendido, tendo eu a certeza que sua análise não guarda relação alguma com o negacionismo fascista. Ainda que ele esteja equivocado, assim como publicamos Foucault sobre o Irã, para nem mencionar as críticas horrendas que Tiqqun fez a Negri ou que Lazzarato faz a Foucault em livro a sair em breve, não cabe a nós exercer a censura.. O pluralismo é o mínimo que se espera de uma editora como a nossa.

Peter Pál Pelbart em carta a Juliana Fausto ligeiramente adaptada.


Sobre o autor

Giorgio Agamben é um dos maiores expoentes do pensamento político contemporâneo. Em sua obra extensa desenvolve, entre outros, os conceitos de estado de exceção e vida nua. É autor, entre muitos livros, de O que é um dispositivo e O reino e o jardim, em breve pela n-1 edições.