Em Kassel

 

Eyal Weizman

 

A Documenta é a exposição de arte contemporânea de maior influência mundial, e acontece a cada 5 anos em Kassel, na Alemanha.

 

No dia 19 de junho, um dia após a abertura, um banner de 8 metros de altura, pintado pelo coletivo artístico Taring Padi da Indonésia, e intitulado “A Justiça do Povo”, foi pendurado em um andaime na Friederichsplatz, praça central de Kassel. Tratava-se de um enorme exemplar de agitprop (arte de agitação e propaganda) parecido com os murais do Diego Rivera, representando agressores e vítimas do regime de Suharto, a começar pela campanha genocida de 1965-1966 empreendida contra membros reais e imaginários do Partido Comunista Indonésio, assim como esquerdistas e chineses.

 

O objetivo do banner era representar uma espécie de tribunal popular para um acerto de contas. Taring Padi era composto por estudantes que participaram dos protestos em 1998, quando uma revolta popular repleta de batalhas de rua sanguinárias derrubou Suharto. O banner já havia sido exibido algumas vezes em diversos lugares, mas foi só na exposição de Kassel que se notou que duas entre as centenas de imagens que povoam a obra tinham características antissemitas.

Isso causou muita indignação, e a obra foi removida dois dias depois. Muitos na mídia celebraram a derrota do pos-colonialíssimo e definiram a exibição inteira como um embaraço nacional. Alguns até exigiram o fim da Documenta. O presidente alemão Frank-Walter Steinmeier advertiu que “há limites” à liberdade artística quando se abordam aspectos políticos. O chanceler Schulz anunciou que pela primeira vez em 30 anos o chefe do executivo não compareceria à exposição. A ministra de cultura, Claudia Roth, prometeu um maior controle por parte do Estado. Finalmente, no dia 16 de julho, a diretora da Documenta, Sabin Schormann, se demitiu alegando “acordo mútuo” com o órgão supervisor.

Quando fui visitar a exposição no fim de semana após a abertura, ela se espalhava por mais de trinta locais, e estava vazia como nunca antes. Havia um ambiente descontraído com energias em frangalhos. Viam-se obras vagamente apresentadas, tendas espalhadas e estruturas improvisadas, mostrando vídeos, performances ao vivo, um dormitório de um artista, uma cozinha comunitária, um jardim experimental dentro de uma estufa, e diversos espaços de debate político, principalmente sobre as ruínas do colonialismo europeu.

Esta décima-quinta Documenta teve como curador um outro coletivo indonésio, o Reagrupa, e foi planejada como uma pirâmide: os participantes, na maioria do hemisfério sul do planeta, foram incentivados a convidar outros coletivos, que por sua vez passavam adiante mais convites. Ninguém sabia quanta gente acabaria participando, talvez até 1500. Toda a organização, completamente não hierárquica e irreverente, correspondia a uma necessária correção do conceito museológico tão rígido das edições anteriores da Documenta. E ridicularizava o sistema de patrocínio corporativo das artes, assim como as feiras de arte comerciais.

A ditadura de Suharto não teria durado três décadas não fosse o suporte diplomático, financeiro e logístico oferecido pelos governos ocidentais e suas respectivas agencias de informação. Documentos, que foram liberados recentemente para publicação, mostram como a CIA forneceu ao exército indonésio uma lista de objetivos, e como o Foreign Office britânico alimentava um sentimento anticomunista por meio da disseminação de newsletters de falsos “imigrantes” e divulgações parecidas em transmissões radiofônicas. Uma das transcrições mostra que Gerald Ford e Henry Kissinger aprovaram pessoalmente a invasão de Timor Leste. Mais de 100 mil pessoas foram mortas com a ajuda de armamento americano. Para muitos artistas ativistas na Indonésia, assim como em outros lugares do hemisfério sul, a brutalidade exercida pelos governos autoritários sempre foi associada a um apoio estrangeiro. Ao contrário dos autores domésticos destes atos de violência, que tinham cara e nome, os desconhecidos de fora atuavam no escuro, o que ajudou a criar uma imagem deles mais crua e monstruosa.

A Justiça do Povo, como obra agitprop, não é complicada. Do lado direito estão os cidadãos simples, habitantes dos vilarejos, e os trabalhadores, ou seja, as vítimas do regime. Do lado esquerdo estão os autores dos crimes e seus cúmplices internacionais. Os representantes dos serviços de informação estrangeiros, o ASIA da Austrália, o MI5 britânico e a CIA, são retratados como cães, porcos, esqueletos e ratos. Há uma imagem denominada 007: uma coluna armada marcha sobre um monte de caveiras, numa vala comum. Entre eles vê-se um soldado com rosto de porco com uma estrela de Davi e um capacete onde se lê “Mossad”. Por trás há um homem com uma trança ritual usada pelos judeus ortodoxos, nariz curvo, olhos vermelhos e dentes afiados. Vestido de terno, com um charuto na boca e um chapéu onde se lê SS, está a figura de um judeu ortodoxo representando um banqueiro rico – sendo agora denunciado por crimes de Guerra em plena Alemanha de 2022.

Na primeira tentativa de desculpa, no dia 24 de junho, os artistas sugeriram que a face de porco do agente do Mossad tinha um significado diferente no contexto da obra. O porco é um símbolo javanês para corrupção, e a representação do Mossad provém do fato de que ele apoiou Suharto, mesmo de forma moderada. Eles insistiram que não tinham como objetivo um determinado grupo étnico ou religioso, mas o esquema geral dos países ocidentais que apoiaram Suharto. Também mostraram que havia outras imagens de porcos na obra. Mas, na Alemanha, onde representações de Judensau (“porca judia” em alemão) ainda decoram catedrais, apesar de campanhas e ações legais para removê-las, ficava difícil argumentar que a imagem do quadro não tinha como intenção representar de forma direta os judeus. Pelo menos nem tentaram explicar o porquê da imagem do judeu ortodoxo com o chapéu da SS. Aliás, o judeu está atrás de um soldado negro da infantaria americana, segurando seu pênis e ejaculando. Não é exatamente uma obra de arte delicada.

No dia 6 de julho um representante do Ruangrupa, o curador coletivo, compareceu no Bundestag para mais uma vez apresentar suas desculpas. Ade Darmawan explicou que o antissemitismo chegou à Indonésia, hoje com 275 milhões de habitantes e uma minúscula minoria judia, trazido pelos colonizadores holandeses e imigrantes alemães. A violência colonialista, disse ele, sempre colocou uns contra outros os povos de raça não branca. No caso da Indonésia, os oficiais holandeses incentivavam a demonização da minoria chinesa utilizando “ideias e imagens originalmente europeias para caracterizar chineses de forma parecida com a que caracterizavam judeus”. Historiadores de arte explicaram também que estes estereótipos, uma vez trazidos à Indonésia, se mesclaram com a vasta imaginação cultural local, como por exemplo o teatro de marionetes javanês chamado “wayang”, que ja incluía bonecos de vilões com nariz curvo e dançavam de forma grotesca. Desta forma uma nova representação antissemita foi integrada ao teatro. Por sua vez, esses teatros de marionetes influenciaram a arte política da era pós-Suharto, quando seus personagens exagerados serviram para caracterizar três décadas de repressão.

Hannah Arendt e Aimée Césaire usaram a metáfora do boomerang para explicar a relação entre o antissemitismo e o colonialismo. O fascismo europeu, o totalitarismo nazista e o Holocausto foram uma espécie de “regresso ao lar” do racismo e da violência que os impérios europeus promoveram em suas colônias. O boomerang que chegou à Documenta teve, entretanto, uma trajetória adicional, secundária: depois de atravessar continentes e gerações, o antissemitismo europeu regressou a casa disfarçado em uma obra de arte anti-colonialista. E aterrissou ruidosamente no meio da Friederichsplatz, que tem por sua vez sua própria história antissemita. Este foi o “retorno do recalcado”, se utilizarmos uma hipérbole psicanalítica. Ninguém pode culpar os judeus de ficarem chocados de se verem no ponto de encontro dessas duas trajetórias.

Mas quando as representações antissemitas surgem nos círculos anti-imperialistas e anticapitalistas (o que ocorre frequentemente), elas não se referem apenas a preconceitos profundamente arraigados que excluem algum grupo da solidariedade global. Estas representações indicam um fracasso da imaginação politica, uma incapacidade de compreender e se conectar a abstrações. Elas emergem quando processos econômicos, sociais ou políticos parecem ser incompreensíveis. A imagem do judeu fumando um charuto representa o intangível, forças de fora que ameaçam destruir sociedades e comunidades tradicionais.

No entanto, a controvérsia antissemita na Documenta foi sobre muito mais do que um banner. Começou em janeiro, cinco meses antes da abertura. Não se tratava nem do legado da instituição – seu co-fundador, Werner Haftmann foi um criminoso de Guerra nazista – nem da contínua violencia contra a comunidade judia da Alemanha. Começou com um post num blog que chegou de uma organização islamofobica desconhecida na época, auto denominada Aliança contra o Antissemitismo Kassel, que se opunha à inclusão de alguns dos artistas convidados pela Documenta.  Esses apelos rapidamente chegaram à imprensa local e nacional, ajudando a criar a impressão de que a Documenta deste ano seria deliberadamente antissemita.

Na lista desses artistas havia dois palestinos, associados ao Centro Cultural Khalil Sakakini, localizado em Ramallah.. Foram acusados de antissemitas, aparentemente pelo fato do centro ter o nome de um poeta palestino falecido em 1952, que havia sido simpatizante dos nazistas. Tal alegação contra gerações posteriores parecia ser uma interessante linha de argumento para ser explicada a alemães modernos.

Mas, como mostrou o acadêmico Jens Hanssen, a ideia de que Sakakini fora um simpatizante dos nazistas era bastante simplista. Durante o conflito anticolonialista contra o Mandato Britânico, com a Ascenção dos nacionalismos árabe e judeu, Sakakini viu a Alemanha como uma possivel aliada, mas em paralelo manteve relações amigáveis com intelectuais judeus e sionistas. Durante a Nakba, tropas israelenses confiscaram seus livros que acabaram chegando como “propriedade abandonada” à Sala de Leituras Orientais da Biblioteca Nacional de Israel, que até hoje se nega a restituí-las. Dei uma palestra no Centro Sakakini e me dei conta de que se trata de um lugar de pesquisa sério, e aberto a debates críticos, principalmente com a participação de uma nova geração de acadêmicos, artistas e ativistas palestinos, a tal ponto que a Autoridade palestina, à qual não pouparam críticas, continua ameaçando fechar o Centro.

Acusações de antissemitismo foram feitas também contra participantes que assinaram uma carta aberta que criticava a decisão do Bundestag proibindo a doação de fundos a organizações que apoiam o BDS (Boicote Desinvestimento e Sanções). Por causa dessa decisão, palestinos e apoiadores da causa não receberam permissão de falar em eventos na Alemanha.

Jornalistas palestinos foram demitidos de seus canais e estações, como a Deutsche Welle e a WDR. Críticos judeus estão tendo agora experiencias parecidas àquelas que os ativistas palestinos tiveram que sofrer. O diretor de uma das instituições artísticas mais importantes da Alemanha, sabendo do meu apoio à BDS, adiou o convite à minha participação num evento artístico ligado a uma obra na qual eu participava (não sobre a Palestina, mas sobre o genocídio colonial na Namíbia alemã). Usando uma linguagem paranoica, que lembra fantasias conspiratórias do passado, ele insinuou que “forças com muito poder estão aí fora para nos pegar…atentando contra nossa população e nosso bem-estar, a ponto de que eu poderia perder meu cargo…e precisamos estar vigilantes para enfrentá-las”. No começo de junho, quando a controvérsia da Documenta se complicou, ele discretamente cancelou o evento artístico.

Entre os coletivos convidados a participar da Documenta havia um grupo denominado A Questão do Financiamento, que seleciona seus membros dentro das ONG’s da comunidade artística e cultural palestina. No dia 28 de maio, num dos mais sérios episódios, as salas onde o grupo ia exibir suas obras foi invadido e pichado com misteriosas ameaças de morte, inclusive o número 187, que é usado nos USA como referência a assassinatos. Um mês depois da abertura, o grupo cancelou sua programação pública e abandonou Kassel.

 

O racismo anti-palestino não estava limitado à Documenta. Duas semanas antes a polícia de Berlin proibiu eventos comemorativos do 74 aniversário da Nakba, que incluía uma vigília organizada por um grupo judeu, alegando que existia um alto risco de haver episódios antissemitas. No dia 17 de junho o Instituto Goethe cancelou o convite, já combinado, de Mohammed El-Kurd, escritor e ativista palestino, cuja residência fora invadida por um colono israelense, invocando comentários recentes feitos por ele em relação a Israel.

Os artistas e curadores da Documenta se desculparam e prometeram aprender as lições de seus próprios erros. Mas os que os caluniaram na mídia alemã não chegaram a reconhecer ou pelo menos tirar as lições de seus próprios preconceitos raciais. Em vez disso, usaram a controvérsia como uma oportunidade de dizer a palestinos e judeus críticos, assim como a artistas do hemisfério sul, que não tinham o direito de se expressar. De forma similar ao antissemitismo existente em círculos anti-imperialistas, a perseguição abertamente islamofóbica patrocinada pelo Estado contra artistas e intelectuais na Alemanha faz uma falsa separação entre as histórias emaranhadas de racismo e antissemitismo, colocando-os em oposição um ao outro.

Não todos na Alemanha têm conhecimento desta construção discursiva. No outono de 2019, no Yom Kippur, um neonazista armado de uma camara GoPro tentou invadir a última sinagoga que sobrou em Halle e filmar a si mesmo matando judeus. Ele culpava a comunidade judaica de forjar uma conspiração que possibitava a imigração de muçulmanos, que, segundo ele, representam uma ameaça existencial à sociedade alemã. Os religiosos que se encontravam ali viram-no aproximar-se por uma câmara de segurança e trancaram a porta a tempo. Após a fracassada tentativa, ele atacou e assassinou um transeunte, e logo correu em direção a uma loja que vendia kebab, frequentada por imigrantes, e assassinou um dos clientes. Na corte de justiça ele afirmou “que não queria matar brancos”.

Tradução de Bentzi Laor

Texto originalmente publicado em The London Review of Books em agosto de 2022.

Eyal Weizman é um arquiteto e pesquisador israelense radicado no Reino Unido. Leciona na Goldsmiths University of London, onde é professor de Spatial and Visual Cultures. É autor de vários livros, notadamente Hollow Land e The Conflict Shoreline and Forensic Architecture.

 

 

 

NOTA DO TRADUTOR

Combater o antissemitismo como se não houvesse colonialismo israelense, e combater o colonialismo israelense como se não houvesse  antissemitismo

 

 

Quais são as regras que ditam o que pode ou não ser dito num contexto social? E quem decide? E de que forma? Evidentemente tudo depende do jogo de forças, constantemente em mutação, que legitima e proibe formas e  conteúdos dos discursos político, acadêmico, dos meios de comunicação etc.

Os preconceitos e as discriminações não fogem à regra. Veja-se, como exemplo, a nova prática discursiva nos EUA ao se referir à população afro-americana, ou o que o movimento MeToo causou nas redes sociais nos últimos anos. Por mais que pareçam transformações espontâneas que representam um admirável progresso social, ha por trás dessas mudanças mecanismos que as promovem, vigiam e regulam.  

 

O antissemitismo obedece à mesma dinâmica, mas sem dúvida se trata de um caso mais complexo. O combate contra o antissemitismo sempre mexeu na sensibilidade mais intima do mundo ocidental. Em parte devido à proximidade social e geográfica (o judeu procura se integrar às sociedades em que vive, mas no mais das vezes é considerado um "Outro"), mas também em razão do parentesco problemático entre o Judaísmo e o Cristianismo.

 

Nos últimos anos os mecanismos mencionados acima foram adquirindo um poder que extrapola o objetivo inicial, que era o de evitar e alertar contra sintomas de antissemitismo em uma dada sociedade. Não se pode desprezar o temor autentico de judeus em todo mundo de que o mínimo sinal de antissemitismo (inofensivo à primeira vista) possa se desenvolver e se transformar em algo mais grave (proibição de culto, como aconteceu em alguns países comunistas) ou até perigoso (atentados criminosos contra membros da comunidade). O fantasma da Alemanha nazista continua na memória de todos.

 

Entretanto, há algo além da excessiva cautela e do zelo quase obsessivo investido nessa luta contra o antissemitismo. As práticas desse mecanismo bem orquestrado não se limitam a vigiar o que se diz e o que não, e por quem. Elas agregam uma dimensão a mais, a de obrigar as pessoas a adotar um discurso de culpa e identificação com a causa, num enunciado padrão e invariável. O apelo à sensibilidade para se detectar e evitar atos antissemitas, que seria a base moral do combate ao antissemitismo, se transforma na criação de um sentimento de culpa constante e de censura a qualquer crítica.

Este sentimento de culpa se estende à história dos últimos séculos, desde o surgimento do Cristianismo até o Holocausto do século 20. 

 

Mas deve-se acrescentar o seguinte. O mecanismo sofisticado de vigilância acompanhado do discurso de culpabilização sem chance de redenção tem sua origem no tipo de relação que se criou entre o Estado de Israel e os judeus do mundo. Aquele orgulho inicial dos judeus, de presenciarem a criação de um pais que fosse o refúgio e o lar nacional dos judeus perseguidos durante séculos na diáspora, tornou-se mais complicado à medida que Israel assumia seu ativismo militar cada vez mais agressivo após a Guerra dos seis dias, e, evidentemente, com a ocupação dos territórios palestinos nos últimos 55 anos e o controle absoluto exercido sobre os milhões de palestinos que aí residem.

As barbaridades de caráter racista e colonialista que são a pratica comum nestes últimos anos provocam uma reação de repúdio por grande parte da opinião publica mundial, inclusive dos judeus. A “solução” foi criar uma sinergia artificial entre o antissemitismo e as críticas direcionadas às práticas dos diferentes governos israelenses.

 

Com o objetivo de evitar que se ponha em questão a legitimidade da ocupação dos territórios ocupados em 67 e o regime colonialista que se desenvolveu na sequência, as críticas começaram a ser classificadas como manifestações de antissemitismo. E nada mais fácil do que utilizar o sentimento de culpa para que isto funcione.

Quanto maior o sentimento de culpa inspirado pela vigilância do antissemitismo, mais hermética a muralha que impede uma discussão séria sobre os crimes cometidos nos territórios ocupados.

Assim foram sendo considerados ilegais os atos políticos e as atividades artísticas que têm algo a dizer contra a política colonialista israelense, tanto de judeus como de não judeus, dentro e fora de Israel. E como sobremesa, se agregou a islamofobia como catalizador.

Foi esse totalitarismo de policiamento do pensamento, da criação e do ativismo que presenciamos em Kassel em 2022.

 

O antissemitismo sempre existiu e não vai desaparecer. E muitas vezes as críticas às políticas israelenses estão impregnadas e motivadas por ideias antissemitas. Mas a mescla intencional dos dois, colocando ambos no mesmo saco de forma manipuladora, é no mínimo cínica, senão perversa.

Não resta opção senão voltar ao lema de que se deve combater o antissemitismo como se não houvesse o colonialismo israelense, e combater o colonialismo israelense como se não houvesse o antissemitismo.

 

 

Bentzi Laor  vive em Israel. Divide seu tempo entre o trabalho no setor de high-tech, atividades em ONGs dedicadas à situação dos palestinos em Israel e nos territórios ocupados, e participação em grupos de estudo de filosofia.   É graduado em Engenharia e Filosofia, com pós-graduação em administração de empresas.