Calafrio Eleitoral
Peter Pál Pelbart

 

Quem pode garantir que não estamos à beira do precipício? E quem não sente um calafrio só de imaginar quão medonho seria, se acontecesse, um tal despencamento? Não são os livros que hoje vão nos salvar, claro - só as ruas. Ainda assim, vale o verso do poeta: Onde cresce o perigo, cresce também o que salva. Neste momento em que tudo oscila e o desastre nos espreita, convidamos dez vozes a colocar por escrito ou expressar em áudio o que pensam, como sentem, o que lhes ocorre dizer ou fazer agora. Foi o que as redes da n-1 veicularam nos últimos dias.

Não se tratava de convencer ninguém. Não temos ilusão alguma de que o eixo do mundo possa deslocar-se a partir de uma editora pequena. Mas não podíamos nos furtar à exigência que nos inspira desde o início dessa aventura editorial, qual seja, a de fazer circular minimamente o que merece ser dito, pensado, inventado, publicado, no embate com as forças diabólicas que batem à porta.

Só podemos torcer para que os danados dessa Terra dita brasileira consigam neste dia 30 reaver o que lhes foi surrupiado na calada da noite, dia a dia, no bolso, no corpo, na alma, no horizonte, e a partir daí, virar tudo do avesso.

Peter Pál Pelbart  é coeditor da n-1. Leciona na PUC-SP, traduz Deleuze, publicou entre outros  O avesso do niilismo  e  Ensaios do assombro , e é membro da Cia teatral Ueinzz