(...) Um vasto empreendimento de ocupação territorial, de domínio sobre os corpos e os imaginários, de desmontagem, dissociação e demolição está em curso.14 Ele conduz, praticamente em toda parte, a “estados de emergência” ou “estados de exceção”, que logo se estendem e se tornam permanentes. As modalidades contemporâneas de demolição se cristalizam, enquanto as clássicas dicotomias forma/matéria, matéria/material, material/imaterial, natural/artificial e fim/meio são profundamente questionadas. A lógica das oposições foi substituída pela das permutações, convergências e conversões múltiplas. Não há mais nenhuma matéria intrinsecamente disponível e dócil. Ela existe apenas coconstituída a partir de uma heterogeneidade de matrizes e conexões.(...)

(...) Uma coisa é certa: não poderemos simplesmente recomeçar a fazer tudo como antes, não poderemos, como fizemos até agora, fingir não ver a situação extrema à qual a religião do dinheiro e a cegueira dos administradores nos conduziram. Se a experiência que atravessamos serviu para alguma coisa, nós deveremos reaprender muitas coisas que esquecemos. Teremos, antes de mais nada, que olhar de um modo diferente para a terra em que vivemos e para as cidades em que moramos. Teremos que nos perguntar se faz sentido, como seguramente nos dirão para fazer, recomeçar a adquirir as mercadorias inúteis que a publicidade tentará, como antes, nos impor e se não seria talvez mais útil estarmos em condições de nos prover, nós mesmos, ao menos algumas necessidades elementares, em vez de depender do supermercado para qualquer coisa de que precisemos. (...)



(…) Se a antropofagia é, de fato, uma marca do modo de produção da subjetividade e da cultura no Brasil, como pensavam os modernistas de 1922,  há poucas razões para alegrar-se: a hibridação, a flexibilidade, a liberdade de experimentação e a irreverência por si mesmas não asseguram, de modo algum, a vitalidade de uma sociedade. (...) Embora haja uma variedade de posições entre estes dois extremos da micropolítica antropofágica no Brasil, a balança tende frequentemente para o polo reativo , o que cria um terreno fértil para a incorporação acrítica da política de produção da subjetividade introduzida pela dobra financeirizada do capitalismo.(...) 


(...) Quando o presente político parece bloqueado, é preciso coragem para desafiá-lo. Com cólera e alegria, xs autorxs aqui reunidxs soltam suas rajadas teóricas, políticas, ecológicas e filosóficas contra o fascismo reinante e o retrocesso do pensamento. FORA com os tiranetes de plantão e a destruição galopante! FORA das certezas e pensamentos calcificados. Textos cortantes ou incendiários, todxs têm o mesmo objetivo: escapar da mesmice, sondar as reviravoltas em curso e as insurgências por vir. (...)

(...) “A música institui sua própria temporalidade. Ela não é, como em geral se afirma, uma arte do tempo. Deste ela faz apenas uso para que possamos dele nos esquecer. Quando Schopenhauer afirmava, na Metafísica do belo, que a arte “retira o objeto de sua contemplação
da torrente do curso do mundo e o isola diante de si”, já não seria isso a própria Utopia? Toda música é um convite a um topos de uma Utopia.” (...
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Flo Menezes

  (...) "Sempre tive a impressão de que compor era tentar liberar o tempo do mundo, isso no sentido de retirá-lo de sua colonização domesticadora que, exatamente através de dispositivos como a música sem força de criação, impôs-se com suas estruturas de estereotipia, de repetição e desenvolvimento controlados, de tensão e distensão." (...)
Vladimir Safatle


(...) Eu não tenho o hábito de me dirigir aos outros quando falo, eis por que não há nada que possa me frear, aliás, o que posso dizer a vocês sem aterrorizá-los, que nasci em uma pequena cidade do campo já quase no Maine, que recebi uma educação religiosa, que
minhas professoras eram todas religiosas, mulheres rudes e exaltadas diante do sacrifício que elas impunham as suas vidas, mulheres que eu deveria chamar de mãe e que tinham um
nome falso que elas deveriam escolher, de irmã Jeanne para Julie, de irmã Anne para Andrée, irmãs-mães que me ensinaram a impotência dos pais ao nomear suas crianças(...)

Livro indicado aos prêmios Médicis e Femina

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