(...) Uma coisa é certa: não poderemos simplesmente recomeçar a fazer tudo como antes, não poderemos, como fizemos até agora, fingir não ver a situação extrema à qual a religião do dinheiro e a cegueira dos administradores nos conduziram. Se a experiência que atravessamos serviu para alguma coisa, nós deveremos reaprender muitas coisas que esquecemos. Teremos, antes de mais nada, que olhar de um modo diferente para a terra em que vivemos e para as cidades em que moramos. Teremos que nos perguntar se faz sentido, como seguramente nos dirão para fazer, recomeçar a adquirir as mercadorias inúteis que a publicidade tentará, como antes, nos impor e se não seria talvez mais útil estarmos em condições de nos prover, nós mesmos, ao menos algumas necessidades elementares, em vez de depender do supermercado para qualquer coisa de que precisemos. (...)

(…)A lição que Rimbaud nos deixa (…)  , é que a imaginação ou, como ele preferia nomeá-la, o delírio, é capaz de romper com o ciclo vicioso da melancolia, do niilismo e do ressentimento.(…)


(...) o poema Uma estação no inferno é polifônico, atravessado pelas vozes de mulheres loucas, de marginais, de loucos é porque Rimbaud coloca em questão os alicerces da civilização ocidental, aqueles que tornaram possíveis a colonização e a
escravidão, a abnegação e a construção de uma sociedade amante do trabalho e do sacrifício: a moral cristã, o culto
da razão, da ciência, do progresso, da ordem e da harmonia.(...)



(...) Itziar Ziga conhece a cidade como quem sempre viveu fora. Anda pelas ruas como se pertencessem a ela. Sapatos de princesinha, mas com as solas desgastadas. Dá pra perceber que já fez todos os trajetos, tanto de noite quanto de dia, tanto alerta quanto doidona, com os olhos cheios de lágrimas ou de raiva, em grupo, casal, trisal, sozinha, mas sempre parte da matilha.Mulher da rua, garota de bar, rata de livrarias e corredora de manifestações. Itziar Ziga é uma mistureba político-cultural: o campo e a cidade, sua mãe e suas colegas, Euskalerria e Catalunya, o melô e o feminismo iraquiano, Judith Butler e Manuela Trasobares, a teoria queer e as oficinas de pantojismo, a cultura trans e as avós putas, Alaska e Benedetti, santa Ágata e a Dulce Neus.(...)
trecho do prefácio de Paul B. Preciado e Virginie Despentes

(...) Quando o presente político parece bloqueado, é preciso coragem para desafiá-lo. Com cólera e alegria, xs autorxs aqui reunidxs soltam suas rajadas teóricas, políticas, ecológicas e filosóficas contra o fascismo reinante e o retrocesso do pensamento. FORA com os tiranetes de plantão e a destruição galopante! FORA das certezas e pensamentos calcificados. Textos cortantes ou incendiários, todxs têm o mesmo objetivo: escapar da mesmice, sondar as reviravoltas em curso e as insurgências por vir. (...)

Pandemia Crítica - Outono e Inverno 2020

(...) A partir de meados de março de 2020, com o anúncio oficial da pandemia
pela OMS e a descoberta do primeiro caso no Brasil, bem como a paralisação de muitas atividades e o início do confinamento, a n-1 edições
abriu uma plataforma online destinada exclusivamente à circulação de textos vinculados à pandemia. Análises, relatos, registros, informações
relacionados ao assunto – tudo cabia. Por quase cinco meses, a cada dia
aparecia um texto novo.estes  dois volumes,  parte das ideias e afetos que a pandemia da COVID-19 despertou pelo mundo e no Brasil, desde sua irrupção.    Estes  dois volumes, Outono e Inverno 2020, reúnem as ideias e afetos que a pandemia da COVID-19 despertou pelo mundo e no Brasil, desde sua irrupção. Registros de pensamentos e sentimentos no calor dos acontecimentos. (...)

(...) Para além de certos clichês, não se sabe nada do zapatismo no Brasil. Um movimento que parece ter surgido do nada, e às portas do terceiro milênio pega em armas, não para ensejar a militarização da luta, como alguns o entendem, mas ao contrário, para chegar ao ponto em que se possa prescindir delas e, em última instância, desativá-las por inteiro. Um movimento que desmonetariza as trocas, rejeita a subserviência ao Estado e ao Capital, e a partir da herança maia reinventa as práticas comuns e as faz colocando mulheres, gays, trans e crianças no centro, sustentando o que os gregos chamavam de parrhesia , a palavra franca, o dizer-verdadeiro; para os maia a palavra-espelho . (...)

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